grupo de pesquisa narrativas em sade

Conheça o Grupo de Pesquisa Narrativas em Saúde do GHC

Porque Narrativas em Saúde? Diferente dos relatos, registros e descrições que nós, trabalhadores da saúde estamos acostumados a escrever no cotidiano do trabalho, a narrativa não tem a pretensão de transmitir um acontecimento, pura e simplesmente (como a informação o faz); integra-o à vida do narrador, para passá-lo aos ouvintes como experiência, deixando impressas suas marcas “ como os vestígios das mãos do oleiro no vaso de argila” (BENJAMIN, 2012a, p.107). Pensando particularmente no trabalho no SUS, utilizamos a narrativa em relação suas múltiplas dimensões no campo da saúde: social, ética, política, cultural e científica.

Formado por trabalhadores do Grupo Hospitalar Conceição, de diferentes profissões, gerências e metodologias e campos de trabalho, o Grupo de Pesquisa Narrativas em Saúde registra-se oficialmente ao final de 2017, com a certificação no Diretório de Grupos de Pesquisa - Plataforma Lattes – CNPq, mas identificamos sua nascente muito anterior a esta data, quando em 2016 alguns integrantes organizaram a primeira Oficina de Escrita Criativa - SUSsurros: Saúde, Literatura e Escrita Criativa - aberta para trabalhadores, estudante e residentes do GHC. Foram nove encontros, quinzenais, de temas diversos, na proposta de encontro, experimentação e partilha a partir de leituras e escrita livre. De lá em diante, seguimos exercitando esta modelagem em espaços de Educação Permanente com equipes, seminários teóricos na formação de residentes e grupos de estudo e aplicação desta metodologia.

Também em processos paralelos e individuais, cada um dos integrantes deste grupo já tem em seu fio narrativo uma significativa extensão de estudos e práticas acerca desta temática. Apresentando -nos brevemente, por data de inclusão no grupo: Marta Orofino, terapeuta ocupacional da Equipe Gestores do Cuidado em Saude Mental, doutora em Letras (UFRGS); Elisandro Rodrigues, pedagogo, técnico em educação na Gerência de Ensino e Pesquisa, doutor em Educação (Unisinos), mestre em Saúde Coletiva (UFRGS); Luciana Barone, doutora, mestre e especialista em Psicologia Social e Institucional (UFRGS), psicóloga na US Coinma; Renata Pekelman, médica de família e comunidade na US Jardim Itu, mestre em Educação ( UFRGS); Diego Kurtz, fisioterapeuta da UTI pediátrica do Hospital Criança Conceição, mestre em Avaliação e Produção de Tecnologias para o SUS (GHC); Maria Amélia M. Mano, médica de família e comunidade na US Santíssima Trindade, docente do Departamento de Medicina Social (UFCSPA), mestre e doutoranda em Educação (UFRGS/UFSM); Silvani Botlender Severo, psicóloga, técnica em educação na Gerência de Ensino e Pesquisa, mestre em Psicologia; Nára Selaimen Gaertner de Azeredo, enfermeira na UTI do HNSC, doutora em Medicina (UFRGS).

Sintetizando, somos um grupo que mistura experiências clínicas em saúde com experiências no programa de ensino, que na diversidade encontra novos movimentos de aprender a aprender, garantindo o direito a compartilhar relatos, textos e descobertas. Neste empenho de dar consistência às invencionices cotidianas, o grupo compõe coreografias ainda em andamento, montando esta nova história que ponto a ponto vem alinhavando um novo modo de narrar saúde. Narrativas visuais, narrativas de dentro e fora, que alcançam o sensível-invisível no cuidado em saúde.

De resultado destes encontros deu-se o I Workshop Narrativas em Saúde, ocorrido em 14 de setembro, no Auditório Jayhr Boeira de Almeida (GHC). Atravessado por algumas falas sobre técnicas e teorias de narrar em saúde, o ponto alto do evento ocorreu ao longo dos encontros nas quatro oficinas oferecidas no período da tarde, onde, a partir de leituras de contos ou excertos de obras literárias, foram produzidos mais de 100 escritos livres, criativos, inusitados, sobre personagens e lugares reais ou imaginários. Contemplando uma diversidade de estilos, temas e emoções, os textos tiveram em comum o compartilhamento sobre modos de olhar para o cotidiano do cuidado. Indescritível a potência do encontro com o outro, mediado pelo texto ficcional, onde os participantes puderam vivenciar um pouco desta riqueza a partir de algumas leituras feitas ao longo do Posfácio do Workshop, que, mais do que encerrar, inaugurou novos projetos e desejos de encontro e cuidado mediado pelas narrativas.
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Referência citada

BENJAMIN, Walter. ______. Rua de Mão única. Tradução Rubens Rodrigues Torres Filho e José Carlos Martins Barbosa. 6ª Ed. Revista. São Paulo: Brasiliense, 2012. (Obras Escolhidas v.2).

Textos trabalhados nas oficinas

Al-Chaer. Cidade. Antologia Casa do Desejo. Vários autores. São Paulo: Patuá, 2018. p. 17 e 18.
BENEVIDES, I. A.; Viagem pelos caminhos do coração: uma abordagem em verso e prosa sobre as possibilidades e limites do programa saúde da família; In: Vasconcelos, E.M.; Prado, E.V. ; A Saúde nas palavras e nos gestos-reflexões da rede de educação popular em saúde, 2ª edição; São Paulo/SP, HUCITEC Editora, 2017
FERNANDES, Isabel; Cabral, Maria de Jesus; Casal, Teresa; Correia, Alda; Almeida, Diana V. (org.) (2018). Contar (com) a Medicina. Lisboa: Editora Caleidoscópio.
NILDÃO. Poesia: remédio contra azia. Coleção Poema Gemeu. (impresso, não publicado).
TSCHECOV, Anton Pavlovitch. O malfeitor e outros contos da velha Rússia. Rio de Janeiro, Ediouro. 201p.

 

Localização

- Mantenedora: Av. Francisco Trein, 326
- Bairro Cristo Redentor
Porto Alegre - RS - CEP 91.350-200

 

Horário de funcionamento

Mantenedora Seg a Sex 7h às 17h 30min
Estágios Seg a Sex 8h às 17h
Escola Seg a Sex 7h às 17h 30min
Mestrado Seg a Sex 7h às 17h 30min
Residência Multprofissional Seg a Sex 7h às 17h 30min
Pesquisa Seg a Sex 7h às 17h 30min
FaCS-GHC  Seg a Sex 7h às 22h 30min
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